Lendo notícias no site: sim, Guaranis MByá podem caçar!

Esse artigo parece levar a uma conclusão inânime: claro, ninguém pode caçar numa reserva florestal. Ninguém? E quem sempre lá esteve e sempre cuidou dessas florestas? A autorização no caso, não é indiscriminada, mas direcionada aos povos indígenas de uma reserva vizinha, os quais caçam para subsistência, e que nunca caçaram até a extinção de nada. Mesmo considerando a fragmentação e diminuição das terras florestadas, que podem levar à uma diminuição das populações dos animais-alvo, e assim aumentar riscos de extinção local, estamos falando de povos hábeis para evitar isso. Em outras palavras, essa reação é um mais recente gesto de óbvio racismo ambiental e colonialismo científico.

A etnia em questão é a Guarani-Mbyá, uma das linhagens mais antigas dos Guaranis, e os povos responsáveis pela segunda onda de expansão demográfica do Brasil, por volta de 6 mil anos atrás, no mid-late Holoceno. Em outras palavras, esses povos são as bases do Neolítico brasileiro, e detentores de fabulosas técnicas de manejo e modificação da paisagem. Em função de suas habilidades e conhecimento da Terra, a capacidade suporte da América do Sul praticamente dobrou, resultando em um aumento populacional (Artigo na Nature de 2016, de Goklberg et al, figura 1).

            Sabidamente as florestas estão onde estão COM esses povos, são, a Amazônia e a Mata Atlântica, produtos do manejo dos povos originários, e negar a ele acesso e manejo de fauna para a manutenção de sua cultura, é uma grande estupidez e arrogância científica. Espero que o bom senso prevaleça e não os neguem isso


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