BIÓLOGOS FANTÁSTICOS E ONDE ELES ADOECEM – FELIZ DIA DOS BIÓLOGOS!

Em algum momento, a sua curiosidade pelos organismos no seu entorno começou a tomar forma, e bem mais que uma criança curiosa, se tornou um cientista que entendeu que no fundo, no fundo, nunca esteve brincando, estava aprendendo. E adora fazer isso!

(texto editado da versão original, publicada em 2016)

Assim como “Como treinar o seu dragão”, o “Animais Fantásticos e onde habitam” fala, indiretamente, de uma criatura em extinção, e a meu ver, fascinante: o biólogo. Ambos os filmes mostram com muita beleza nossa paixão pela vida, em especial pela vida incompreendida pela sociedade e, portanto, perseguida. Mostra como poucos seres em cada sociedade são eternamente picados pela paixão pelo desconhecido, entendem a natureza de criaturas renegadas, e passam o resto da vida a sofrer e lutar pela iluminação de seus iguais quanto a importância de cada espécie que combatemos. No caminho, um mundo inteiro que envenenamos. Assim, mostram como o ser cientista da natureza é tão fundamentalmente ser biólogo, e não somente o químico, o físico ou o matemático!

Quantas espécies de baratas existem na sua casa…. por sua causa? A minha contribuição para “vocês também não facilitam”, é minha paixão por esses gigantes territorialistas e complexos insetos, Blatodea!

Porém, somos mais, somos cientistas apaixonados pelas criaturas que abraçamos a estudar. Não sei se somos assim tão diferentes, ou se somos só aqueles que não esqueceram o fascínio que a natureza trás a qualquer um na sua infância (dado o sucesso internacional dos dois filmes que inspiraram este texto, parece óbvio que é a segunda opção). Talvez o biólogo seja aquele que não quis parar de fuçar seu jardim, que não tenha cansado de ser curioso. Não tenha achado um dia que isto é brincadeira de criança.

Somos sensíveis ao sofrimento de nossas criaturas e do mundo do qual nossa existência e saúde dependem. Mas no mundo do “real das outras pessoas”, muitas vezes somos contratados para monitorar o extermínio das espécies e dos ecossistemas que tanto nos fascinam. Resgate de fauna, licenciamento ambiental… tantos e tão importantes, mas associados a um fato muitas vezes cruel: a sociedade vai autorizar perdas irreversíveis. Nós, assim como os veterinários que fazem eutanásia, temos a obrigação de acompanhar estas mudanças. Fato é, são vários os que conheço que adoecem no processo. Não convencemos ainda o mundo a desenvolver de outra maneira.

Sabe de onde vem as incômodas mosquinhas do banheiro? Do seu ralo, e o limpam para você, são essas larvas grandes no seu último instar, devorando tudo pelo caminho, a espécie é Clogmia albipunctata, parente do Flebotomineos, mas não hematófago. Pouco se sabe ainda para além de crenças mal fundamentadas, sobre insetos em geral nos causarem riscos de doenças, se permanecem em nossas casas. Mais provavelmente, a coexistência com insetos não hematófagos seja potencialmente benéfica. Muito precisa ser estudado da microbiota desses insetos, que potencialmente os impedem de se tornarem transmissores de patógenos para as pessoas.

Ao menos, já convencemos que é importante tentar, é importante pesar as perdas ecossistêmicas como perdas de serviços ambientais que, se preservadas, resultam sim em dinheiro, em desenvolvimento, em qualidade de vida e felicidade social. Já ensinamos a muitos de que precisamos das mais “nojentas” criaturas e de seus ecossistemas saudáveis, para estarmos ricos e bem, coletivamente. Mas falta muito, e sabemos que o tempo é pouco. Para minimizar ao máximo os danos sobre a vida enquanto não alcançamos a perfeição do respeito à Natureza, acumulamos danos e frustrações sobre a nossa vida solitária de biólogos!


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